A corte e seus privilegiados

Por: Paulo Garcia

Muitos são os motivos do estado ter tantos adeptos até hoje. Desde o domínio do ensino, dos programas de bem-estar, dos efeitos dos seus monopólios coercitivos, dos seus subornos via cargos públicos e até sua propagação de um sentimento de nacionalismo. Mas um, fortemente presente e fundamentalmente importante para ele, principalmente para os esquerdistas nas últimas décadas, é o suborno da classe artística e intelectual, o que impacta diretamente junto de seu controle sobre a mídia.

Nos tempos antigos, pré e pós o “igreja-estado”, sacerdotes (não só católicos ou protestantes, mas tribais e de outras religiões) utilizavam de um discurso de santificação que o cobria e tirava os questionamentos sobre toda e qualquer decisão tomada pelos reis e governantes. Ele era tratado como um enviado de Deus, ou em outros casos, até mesmo como sua própria personificação.

Hoje, com o passar dos tempos e a quebra desse misticismo do elo entre o governante e Deus, o estado precisou se reorganizar. Além das medidas citadas anteriormente, tivemos esse controle do estado sobre os intelectuais. Foi através do financiamento (que obviamente seria seletivo ao que lhe agradar) da arte, da mídia e dos pensadores, o estado conseguiu impulsionar fortemente os holofotes daqueles coniventes com suas ideologias, ou meramente com sua existência.

Com o financiamento de livros, artigos, peças, filmes e outros; vindos daqueles que o estado selecionava, os artistas pararam de depender puramente de seu talento pessoal sobre uma carreira financeiramente duvidosa, e puderam, em troco da venda de sua moral e intelectualidade, obter carreiras estáveis, um dinheiro acima do que normalmente pagariam voluntariamente, fama e influência cada vez maiores.

E por que o estado faz isso? Bom, quanto mais ele cresce e mais medidas coercivas e absurdas ele tenha, como regulamentações, impostos e outras medidas que são claramente agressões; mais métodos precisa de que isso seja aceito e legitimado. Chegamos a um nível tão grande de estado, que esses financiamentos e compras tiveram que se expandir até que a opinião dos “formadores” a favor do estado se tornasse equivalente ao bom senso, como é visto no Brasil e nos EUA (sim, os brasileiros não sabem, mas o estado americano é gigantesco comparado a sua independência).

E é somando esses fatores de necessidade de aceitação pelas imposições do estado, com uma estabilidade financeira, além de fama e influência garantidos aos intelectuais (que hoje poderiam ser medíocres desconhecidos); podemos entender o porquê de tanto o estado depende dos intelectuais, quanto os intelectuais dependem do estado hoje.

E é por isso que não é incomum a mídia ser tendenciosa como é hoje. Não é atoa que os debates nos canais de TV em sua maioria são feitos por pessoas do mesmo lado. E não é atoa que vemos pessoas sem talento algum (ou nada exorbitante) serem considerados referências completas no que fazem.

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