A ideologia do senso comum e o crescente interesse pelo debate político

Tendo em vista, o aumento do interesse pelo debate político, cresce a demanda por mais informações que forneça o contraditório como ferramental de apoio, já que, se as pessoas continuarem partindo do mesmo paradigma, o que se tem na verdade, não é um debate, e sim: uma variação do que já existe em se tratando das idéias, fazendo com que, os inclusos em tal contexto, cheguem sempre as mesmas conclusões, apenas com nomenclaturas diferentes.

Partido desta exposição introdutória, o presente artigo tem como objetivo responder o conteúdo de uma publicação feita no Facebook, onde o usuário da referida rede social, representa com perfeição o perfil dos novos debatedores. Pessoas que tem opinião, porém, munidas de uma repertório senso comum, no fim das contas sugerem mais do mesmo.

Para que haja total entendimento do diálogo proposto, confira a referida publicação

 Olha, pessoal… um médico, para estar apto a atender um paciente, precisa, no mínimo, estudar cinco anos, fora residência, especializações e etc.

E não digo isso especificamente desta profissão, mas de todas as outras áreas.
Agora, eu pergunto: por que a maioria dos políticos exerce cargo (não função), sem ter conhecimento administrativo algum, roubam milhões do nosso bolso e não são presos? 🤔
Na minha humilde opinião, político só poderia ocupar ou me representar em cargo público se tivesse um curso em administração, política pública e/ou algo do gênero. Já chega de amadores, que se dizem do povo, mas que se preocupam mais com benefício próprio do que o outro. Pena que caráter não existe ensino que dê jeito, né?!
É uma pena ver o país na situação que está… mas que tenhamos esperança de que esse câncer tenha cura, para o bem de nossos filhos, netos e etc.

Eu, infelizmente, acho que não viverei para ver esse milagre.
Que possamos dialogar sobre e nos utilizar da tecnologia para fiscalizar esses vagabundos engravatados que não me representam!” 

Quanto ao primeiro parágrafo, o autor da publicação expõe sua indignação, sugerindo que um dos problemas é a falta de preparo técnico dos políticos, mas se ele parte desse ponto, fica explícito que não houve uma atenção por parte dele, para o que é a proposta democrática. Nas regras do jogo democrático os vencedores são os que se organizam seja: em uma minoria ou maioria e isso independe de formação acadêmica, a regra é clara a associação se dá por interesses em comum, que se sobrepõe aos interesses de outros grupos já que esses outros grupos demandam outras pautas.

Subsequentemente, ele reforça sua impaciência e denuncia o roubo de milhões sem quaisquer punição, na palavra “MILHÕES” fica entendido que é em referência aos atuais escândalos noticiados aos quatro cantos, no entanto, essa única palavra (milhões) expõe que a existência da atual estrutura estatal bem como a forma com que ela se financia é ponto pacífico para o debatedor, quando se acaso ele tivesse tido o minimo contato com a literatura que questiona tal paradigma, talvez ele sugerisse não se tratar de milhões, mas sim, de trilhões de dinheiro roubado.

A proposta deste inicio de argumento não é a de transformar a pessoa  mainstream em libertária com a leitura de apenas dois parágrafos mas só, de apenas mostrar as opções de ideias que fariam diferença na elaboração de propostas variadas.

No segundo parágrafo a sugestão é no sentido de que uma pessoa munida de uma formação da área administrativa seria uma boa opção de político, aqui se repete a proposta do mito do Estado eficiente, que pelas características da proposta democrática é algo impraticável. Entenda: um administrador tem a função de administrar os recursos escassos os alocando de forma ordenada onde realmente ele provoque os melhores resultados, essa lógica se aplica à propriedade privada onde de posse de todas as informações o administrador atua: movendo com cautela os recursos de um ponto à outro.

Agora confronte essa atuação administrativa  ao arranjo democrático, que não tem no seu escopo de propostas a ideia da escassez dos recursos. No fim das contas, o que acontecerá é que o atual grupo detentor do poder, a ele conferido pela democracia, direcionara grande parte da riqueza de uma população às suas demandas particulares e os desfavorecidos por esse movimento de recursos, atribuirão  a isso o nome de: má administração ou corrupção. Por isso, não! As práticas administrativas de empresas não são aplicáveis na estrutura estatal.

Ainda no segundo parágrafo ele percebe que o apelo populista é golpe quando diz que: “que se dizem do povo” mas o artigo tem a obrigação de esclarecer que isso é um padrão e que ao longo de várias décadas foi utilizado no mundo todo. Quanto a esses populistas que apenas visão o enriquecimento pessoal existem dois tipos: os que praticam a “velha corrupção” e os que usam a corrupção como meio para alavancarem uma proposta política, os segundos sem dúvida são os piores.

Obs.: no trecho anterior o uso da palavra corrupção  foi apenas por convenção já que corrupção pode ser entendida como a forma com que o Estado consegue os recursos que o financia os impostos. Na sequência é exposta uma desesperança, e isso é ruim, e demonstra que para ele, tudo isso é algo imutável  e que é inerente a existência das coisas, isso o afastou tanto da busca por possibilidades humanamente possíveis que ele considera o Estado como algo metafisico já que sugere que só por, milagre! tal realidade de desmando se reverta.

O que é o Estado senão uma tecnologia que a sociedade por conveniência usa? E como qualquer tecnologia fica obsoleta, já é obsoleta! E para provar que o Estado deve ser tratado no campo físico segue uma breve lista do que o compõe: armas, prédios, computadores, funcionários, veículos, máquinas em geral, e etc… Não precisa de nenhum milagre para que esse arranjo mude.

O desfecho foi em tom de protesto, ele diz: “esses vagabundos engravatados que não me representam!”  De fato não, já que nenhum homem terá melhor representante do que ele mesmo. A democracia não oferece a ninguém bons representantes já que cada individuo é um ser único, e para finalizar ele propõe como ferramenta de defesa, a tecnologia, isso concorda com o artigo que também sugere a busca por novas tecnologias como opção as atuais, mas, ao contrário dele que sugere tecnologias para fiscalizar a atual situação o artigo sugere tecnologias que substituam a atual situação.

 

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