A matemática a favor da descentralização

Por: Paulo Garcia

 Anteriormente produzi textos com motivos abordando incentivos, do porquê os métodos privados tenderem a ser, e eventualmente de fato serem, superiores aos serviços providos pelo estado, que necessita dos meios políticos para a obtenção de recursos [1]. Mesmo tendo em vista que, todo esse assunto já seria determinado a favor do método privado por questões éticas e lógicas, devo continuar por algum tempo em argumentos utilitários, por questões de informações facilmente acessíveis, principalmente à um nicho específico de leitores.

 Dessa vez, trago um argumento através da probabilidade, mais especificamente, do insight da “Lei dos Grandes Números” em favor de meus pontos. Antes, alguns detalhes precisam ser ressaltados. Os argumentos apresentados aqui virão do insight da lei dos grandes números e da probabilidade em geral, aplicados ao meu argumento; não da sua teoria toda aplicada em outras formas de experiências (muito menos em engenharia social). Em segundo, é necessário ter em mente que serviços provindos do estado, na prática, necessariamente serão acompanhados de monopólios e/ou regulamentações (que formariam um pequeno oligopólio no setor). E em terceiro, nem de longe sou um empirista (e é necessário não confundir empirismo com método empírico).

 O insight da lei dos grandes números – e que envolve toda a probabilidade em si – é o seguinte: quanto mais tentativas de se chegar à um resultado forem realizadas (lembrando-se que, de certa forma, o número de resultados possíveis é limitado), em média, há uma maior chance de se chegar (ou produzir) ao resultado desejado. Porém, essa conclusão sobre a LGN (Lei dos Grandes Números) deve ser acompanhada de deduções e metodologias lógicas, que direcionem essas buscas corretamente ao objetivo desejado.

 Em outras palavras, é necessária uma mentalidade certa na busca da obtenção de um resultado (não quero expandir o assunto sobre o que seria uma mentalidade certa, pois teria que adentrar profundamente em filosofia, o que não é o objetivo do texto), já que não adiantaria, por exemplo (um exemplo simples), chutar 40 vezes uma bola para a esquerda, desejando que ela vá para a direita.

 Aplicando isso à serviços e produtos, temos duas questões do porquê esse insight corrobora comigo: (1) Pessoas possuem características pessoais, particularidades, individualidades (chame como quiser), e vão desejar produtos e serviços que satisfaçam essas diferenças particulares; e (2) o mesmo ocorre com empreendedores, e essas particularidades ajudarão os mesmos a obter resultados diferentes, que poderão, dentro de suas capacidades, ser cada vez mais próximos da satisfação de diferentes tipos de clientelas.

 E qual a conclusão disso? Como disse antes, regulações, mercados fechados, e empresas estatais, exigem necessariamente, uma concentração forçada de recursos no mercado, e consequentemente, diminuição resultados (por haver cada vez menos pessoas PODENDO atuar na busca de produtos, serviços e soluções novas). Por outro lado, a descentralização, desregulamentação, e ausência de impostos, fornece uma liberdade de empreendimento e novas produções criativas, o que, de acordo com o insight trazido nesse texto, favorece cada vez mais (além dos incentivos citados em outros textos) a possibilidade de satisfação – e inovação – no mercado.

 Para finalizar, imaginem se existisse a ChineloBras, monopolizando, e assim determinando toda a produção, modelo, material, forma e tamanho dos chinelos produzidos no Brasil. Provavelmente, chegaríamos à um cenário em que a maioria passaria a usar Crocs [2] como alternativa.

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