Doutor Segurança e o deboche ao povo brasileiro

Doutor Segurança

No decorrer desta semana tem sido compartilhada algumas imagens sobre assaltantes de um tal de “Doutor Segurança” no Facebook. As imagens são hilárias e a priori era possível imaginar tratar-se de algum portal cômico como o Joselito Müller ou o Sensacionalista. Mas o negócio era sério.

Durante o assalto
“Senhor bandido? Poderia esclarecer o que disse depois de ‘cale a boca ou vou estourar seus miolos?’ Eu não ouvi direito, estou um pouco nervoso.”
Durante o assalto
“Senhor ladrão, eu posso sacar minha Glock e perfurar vosso crânio, por gentileza?”
Durante o assalto
“Senhor bandido, eu irei fugir, tudo bem? Vou sair correndo por aquela porta, por favor, não atire em mim.”

As “dicas” soaram muito mal no Facebook pelo excesso de zelo para com o bandido (confira aqui, aqui e aqui) aumentando instantaneamente a audiência da página, lembrando alguns casos onde a vítima é responsabilizada pela ação do bandido.

A revolta é explicada, entre outros fatos, em função do governo brasileiro não ter respeitado o referendo de 2005 onde o brasileiro optou por ser contra a proibição da comercialização de armas de fogo depois de uma campanha ridícula encabeçada pelos atores da Globo, favoráveis. Naquele ano quase 60 milhões de pessoas, 63% do total de votantes, foram às urnas para votar “não” à proibição da comercialização de armas de fogo no país.

A intenção do governo era bastante óbvia, restringir ao máximo a aquisição de armas de fogo e desejava um referendo para justificar a proibição, no entanto, a campanha bizarra governista deu errado e o povo cansado da insegurança e de ser refém nas mãos de bandidos, votou contra. A maior parte da elite política e judiciária era e ainda é favorável à proibição, como pode ser conferida numa entrevista com o ministro Luiz Fux, onde ele diz que o povo “votou errado”. O Estatuto do Desarmamento continua em vigor, dificultando ao máximo a aquisição de armas de fogo, onde o brasileiro precisa pedir permissão ao Estado para adquirir legalmente um instrumento de defesa à vida, além de enfrentar uma burocracia típica do poder público brasileiro.

O Brasil registra quase sessenta mil homicídios por ano. Um número alarmante num país onde não há direito à defesa e a sensação é sempre de que a justiça tende a favorecer o bandido, que tem a certeza de que suas vítimas estarão sempre desarmadas. Nenhum bandido entraria numa casa na mesma tranquilidade se soubesse que poderia haver armas no recinto. E como é óbvio, a polícia não é onipresente.

A postagem do “Doutor Segurança” pode ter sido apenas uma infelicidade e ele pode ser bem intencionado, no entanto, num país onde apenas o Estado e os bandidos possuem armas e os cidadãos ficam no fogo cruzado e reféns do totalitarismo estatal e da bandidagem, estas imagens só poderiam soar mesmo como uma grande piada.

Eduardo Ribeiro
Liberdade, liberdade, abre asas sobre nós. :-D

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