Não abandone a ética!

Escrevi esse texto para um amigo, quando ele me disse:
“-Tem de comer pelas beiradas né, convencer um soça a um estado menor já é um puta avanço.” e eu respondi:
Concordo meu amigo, tem sim que comer pelas beiradas.

Porém, o problema é que comer pelas beiradas com gradualismo vai ser o seguinte:
Diminuindo o estado, obviamente que os políticos daqui não largam o osso assim fácil, pelo método gradualista vai demorar algumas décadas, até chegar no ponto em que o estado só cuida do “essencial”(sendo que todos sabemos que o estado é incapaz de gerir esterco sem desperdício e ainda assim os liberais acham que o estado deve cuidar do essencial).

O estado vai estar cuidando “somente” da saúde, educação, segurança e justiça. Segurança e justiça, o estado, se depender dele, sempre vai cuidar, daí pra frente só o separatismo vai resolver para diminuir o estado mais ainda, aí leva umas décadas para chegar ao limite do separatismo que é o “ancapistão”, separatismo no nível individual.

Porém, isso sim é utópico, acreditar que por meio da política vamos chegar perto disso.
Por isso temos os agoristas, que trabalham ou contribuem para minar o poder do estado onde mais lhe dói, no bolso.

Quando o estado perder o poder monetário e poder de fogo(contrabando também é agorismo) vamos estar livres de uma consumação de poder pela esquerda através da política(eles só voltam se tentarem o “golpe por armas”).

E o bastião de todo poder, é a consciência. Não adianta de nada, termos o gradualismo e o agorismo atuando, se as pessoas não entenderem o mal que é relativizar a iniciação de agressão ao indivíduo.

Quando as pessoas entenderem que a propriedade privada deve ser “sagrada”, que coerção por meio de agressão é crime em todos os níveis e que o único direito que existe eticamente é o direito à propriedade(propriedade, vida e liberdade*{lembrando que liberdade no limite da própria liberdade das leis éticas e da física}), somente então as pessoas vão estar preparadas para a vida adulta(se livrar de governança coercitiva), sendo que até então estavam sob a tutela de pais violentos, agressivos, incompetentes, anti éticos, ignorantes, que não se preocupavam nem um pouco ou tinham capacidade para educar seus filhos, dar saúde à eles, sequer eram pais biológicos, pois simplesmente receberam esses filhos por “obrigação” e enquanto tinham esses filhos que tratavam dessa maneira, tinham outros filhos que eram escolhidos a dedo(corporativismo e amigos do rei) que eram tratados com todas as regalias disponíveis.

Quando o povo estiver preparado para sair do “cuidado” desses pais, será o momento em que todos estarão preparados para viver sob a ética libertária, onde não aceitarão mais o aparecimento desses “pais” ou de “tios” ou de qualquer entidade que queira promover escravidão institucionalizada novamente.

Pois hoje, as pessoas sabem que tem algo de errado, se param para pensar um pouco elas ainda dizem: “-está bem, o estado é o culpado, mas eu vou fazer o que? votar não adianta, vou pegar em armas? deixa quieto” com essa mentalidade atual não estão preparados sequer para eleger um candidato “libertário”.

Portanto nunca devemos deixar o lado purista para trás, e devemos dar valor aos brutalistas, pois se o fizermos, e dependermos apenas do gradualismo e do agorismo, chegaremos em níveis de governo e “níveis de pensamento político” já conhecidos.

Não estou tirando isso da minha cabeça, mas veja por exemplo o movimento libertário nos EUA, não existe mais o libertarianismo puro, lá libertário é minarquista e liberal é esquerda.

Nos países que conseguiram atingir níveis liberais economicamente, cresceram, a população ficou rica, mas aí abriu precedente para a instauração do “socialismo”, como por exemplo Canadá e os países nórdicos, onde agora, depois de o país ficar “rico”, os socialistas aproveitaram a deixa para fazer média com as “minorias”

Na Suécia vemos a abertura de pernas para tudo o que é vitimismo, e agora o dinheiro está acabando, pois todo mundo quer viver de welfare state(em maioria refugiados)
E esse ciclo se torna infinito, riqueza>fartura>socialismo>pobreza>liberalismo economico>riqueza.

Porque as pessoas com o passar do tempo, se esquecem e o gramscianismo toma conta.
Então não é o fato de nós libertários termos que aceitar que o gradualismo e os minarquistas são o caminho para sairmos da lama, é o libertarianismo puro que vai desatolar o “minarquismo” quando ele perceber que não está mais saindo do lugar e a lama está puxando de volta.

Todas essas ferramentas são importantes, mas minarquismo não é o fim e gradualismo não é o mais importante(só porque tem os engravatados que falam bonito tomando a frente)

A ética deve prevalecer, e tem que ser a ética pura, não a de floreios e meias verdades.
É impossível acreditar que um dia todas as pessoas vão seguir a ética libertária, mas não precisa disso, pois hoje a maioria das pessoas sequer seguem ou sabem o que é ética, e fazem o possível para burlar as leis e dar um jeito, então é impossível alcançar a plenitude ética.

Para isso temos o ancapistão como objetivo, não é necessário todos terem a ética como guia, talvez nem a maioria, mas que seja algo que as pessoas entendam, como hoje acontece, que no mínimo existe punição para quem burlar as leis, naturais ou privadas.

Não será perfeito, terá pobreza, morte, mas não terá guerras, porque as pessoas vão ter que ir para a guerra por vontade própria, e com seu próprio dinheiro, e guerras são caras, e eu duvido muito que mais de meia dúzia de psicopatas vão querer se matar para fazer cerco em um território.

E com a tecnologia e o livre mercado atuando, até os pobres vão viver melhores do que os ricos de hoje(Hoje por exemplo, eu vivo melhor que um rei na idade média, muito melhor inclusive) E os “pobres de favela” de hoje tem acesso até à smartphones, enquanto 99% das pessoas a 200 anos atrás viviam como mendigos de hoje.

Mas isso só acontece se a ética for espalhada, não só o liberalismo econômico ou estado mínimo(como ideologias), pois os indivíduos como um todo ainda são crianças despreparadas para sair das garras desses pais(insert here um monte de adjetivos do estado)

Acho que deu para entender.

-Zé Carlos Zabara

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