O impasse das reformas sob a presidência de Michel Temer

Michel Temer

Um alarde de proporções gigantescas foi criado no país após o plantão da Globo noticiar que Michel Temer tinha dado o aval para comprar o silêncio de Eduardo Cunha numa gravação feita por um dos homens fortes da JBS, Joesley Batista, o furo jornalístico parecia tão grande que a jornalista que o relatava, Renata Vasconcellos, apareceu bastante ansiosa durante a veiculação da notícia.

No entanto é preciso fazer uma reflexão estratégica sobre o jogo político, o áudio do presidente Michel Temer nem de longe é tão comprometedor quanto às provas a respeito do senador Aécio Neves, houve uma superestimação a respeito do mesmo e a queda do presidente ou a sua baixa popularidade só fortalece a esquerda, não há, do lado petista, que pede a saída de Temer, qualquer preocupação com a ética ou com o que é certo, eles estão apenas sendo estratégicos e jogando no erro do adversário, é uma falta ética para induzir tanto esquerdistas como direitistas a apoiarem a queda de Temer e a direita está fazendo isso do jeito que eles querem. Quem pede a renúncia ou impeachment são os mesmos que diziam que gravar presidente é ilegal e criminosos, são os mesmos que condenam delação premiada e são os mesmos que consideram Lula e Dilma inocentes dos males que causaram ao país. Não é possível esquecer em qual governo a JBS mais cresceu no país.

Levar um gravador é um sinal bastante óbvio de tentativa de indução da outra parte ao erro, já que não sabe da gravação, o caso é bastante diferente de uma interceptação telefônica, onde nenhuma das partes se dá conta de uma possível gravação.

O que realmente está em jogo aqui é a tentativa de barrar o avanço da reforma da previdência e da reforma trabalhista.

Michel Temer, Lula e Dilma estiveram unidos por muito anos em Brasília, no entanto, sempre houve um certo desentendimento entre eles e esse racha se tornou evidente durante o processo de impeachment. São dois grupos diferentes, um apoiando as reformas e o outro totalmente contrário a elas. Juntar-se à esquerda agora para a saída de Temer é cair na narrativa do adversário, é fazer o que eles querem, para poder eleger um presidente de esquerda que vai barrar todo tipo de reforma previdenciária ou trabalhista, impossibilitando o país de sair da crise econômica. Se a direita política cair no jogo da esquerda, vão entregar o poder nas mãos do mesmo grupo que passou mais de uma década saqueando o Brasil.

O presidente Michel Temer sempre teve uma popularidade baixa, afinal, ele foi vice da presidente mais impopular do período democrático.

O problema com essas denúncias é se elas afetarão definitivamente o poder de influência do presidente. Se assim ocorrer, ele não conseguirá passar as reformas em andamento para colocar o país de volta aos trilhos. Não haveria solução nesse caso, apenas a renúncia.

O grande problema é se o sucessor dele levará as reformas adiante ou levará o país ao atraso novamente inchando a máquina pública. Por isso, essa troca é arriscada.

O que está em jogo não é o Michel Temer, mas, as reformas da previdência e trabalhista que estão, agora, paradas em função deste impasse.

 A hora do Temer vai chegar, mas, é preciso tomar cuidado com o que se deseja ou poderemos condenar o país a mais uma década de socialistas no poder.

 

Eduardo Ribeiro
Liberdade, liberdade, abre asas sobre nós. :-D

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