É possível falar de cristianismo sem falar de Maria?

Maria, mãe de Deus

O ponto mais polêmico entre as diferentes religiões cristãs é sem dúvida a figura da Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo e seu papel no cristianismo.

Os católicos veneram Maria e a grande maioria dos protestantes a ignoram. Os protestantes acusam os católicos de idolatrar a figura da Virgem Maria e pela motivação de se opor à igreja de Roma boicotam a figura da mãe de Cristo em seus cultos. Maria praticamente não é sequer mencionada em nenhum culto pentecostal ou calvinista. Mas seria mesmo possível e justo com a história de Cristo ignorar completamente a mãe do próprio Salvador, dona do ventre que gerou o próprio Deus feito homem?

Como a mulher que o amamentou Jesus, que o educou, que é considerada a primeira cristã, que muito provavelmente instruiu os discípulos que ficaram depois da ascensão de Jesus aos céus, que tanto sofreu em função de seu filho, que foi predestinada por Deus antes de sua concepção, pode ser considerada uma mulher comum a ponto de ser esquecida e boicotada? Como pode ser totalmente ignorada dentro dos cultos pentecostais e calvinistas?

Como Cristo feito homem não teve um pai também homem, seu sangue é exatamente o mesmo de Maria. É difícil compreender o quanto a figura de Maria se tornou irrelevante e totalmente dispensável entre a maior parcela dos protestantes.

As discussões sobre o tema são infinitas. Os católicos afirmam que Maria permaneceu virgem após o nascimento de Cristo tendo permanecida imaculada durante toda a sua vida, os protestantes afirmam que não, que Maria, como toda esposa, deitou-se com José e concebeu outros filhos além de Jesus.

No entanto, é preciso salientar, Maria não era como todas as esposas, não era como todas as mulheres. Maria não foi uma mulher comum. Maria teve desde o início da vida uma missão muito especial.

Na bíblia há passagens afirmando a existência de irmãos de Cristo, mas, seria possível, pelo contexto da época e pelas palavras usadas no idioma original e pela intenção do autor humano que a escreveu, afirmar categoricamente que Jesus Cristo teve realmente irmãos de sangue filhos de Maria e José e não primos, por exemplo, como afirmam outras versões? Lendo apenas o texto bíblico não é possível afirmar com toda a certeza, se fosse, não haveria divergência entre católicos e protestantes sobre o tema. A autoria da bíblia é da própria Igreja Católica, seria difícil que a mesma Igreja que a escreveu também a interpretasse de forma tão equivocada assim como se afirma.

A bíblia por si só não contempla toda a história de Maria, José e Jesus. Ela não tem todos os detalhes da vida de Cristo. Para o evangélico não há o que fazer, baseado somente na escritura o protestante tentará chegar a alguma conclusão sobre um tema, já o católico tende a buscar respostas também na tradição cristã, como a questão da devoção mariana, que surgiu na própria igreja primitiva (ver também). É possível afirmar que o carinho e a admiração à Virgem Maria advém mais da tradição cristã do que da bíblia.

Se afirma também entre os evangélicos que Maria ofusca o papel de Cristo. Claro que pode haver certa devoção mais exagerada sobre a Virgem Maria e os motivos podem ser vários. Maria é tão importante no catolicismo justamente por ter gerado o salvador e também é vista como uma auxiliadora, como mediadora, como alguém mais próxima do fiel comum, visto que para um pecador talvez seja mais difícil buscar a Jesus Cristo em sua tamanha magnitude. Maria pode ser vista, do ponto de vista católico, como uma etapa ou uma ferramenta até Cristo.

A importância de Maria não se dá por si mesma, mas começa justamente por ter gerado Jesus Cristo. Até na oração Ave Maria o nome de seu filho é mencionado três vezes: “Senhor”, “Jesus” e “Deus”.

Os protestantes dizem que concordam, “Maria é bem aventurada”, no entanto, há um boicote sistemático contra a figura de Maria dentro destas igrejas, ela nunca é mencionada, provavelmente com receio de serem acusados de idolatria, a acusação que fazem aos católicos em função da devoção mariana.

Seria o propósito de Maria praticamente nulo no cristianismo como tratam os protestantes ou seria Maria uma importante ferramenta de Deus para a conversão do homem?

Este é um dos maiores pontos de divergência que impedem uma proximidade entre cristãos e essa discussão se estenderá até o final dos tempos quando Cristo há de vir buscar o seu povo.

Governo federal paga 300 mil por criação de logo

Um amigo estudante da área de TI me perguntou o por que da minha, segundo ele, “implicância” com o governo, eu compreendi o questionamento dele, afinal, quem pode ser contra uma coisa chamada de welfare state, que diz que todos tem direito a tudo gratuitamente e com qualidade? A armadilha está armada aí, porque ao discordar disso: imediatamente a pessoa passa a ser taxada de anti-povo.

Para sair dessas sinucas é importante se fazer uso de uma linguagem que seja comum ao interlocutor e no caso em específico eu abordei o seguinte tema:

 O HUMANIZA REDES

O humaniza redes basicamente foi um site criado pelo governo federal com o objetivo de “proteger” os cidadãos de “agressões” na internet. E eu o questionei sobre o projeto nos seguintes tópicos:

  • Custo;
  • Viabilidade técnica;
  • E se de fato: não ser “agredido na internet” é também um direito do cidadão e por isso o governo deve garantir esse direito através de políticas estatais.

Ele não soube me responder nenhum dos tópicos e ficou em silêncio quando eu disse que o projeto havia custado R$ 10 milhões. Ele na qualidade de profissional da informática sabe que é totalmente possível criar um excelente site com menos de R$10 milhões. “Ah, mas é para uma causa social e o custo é relativamente baixo tendo em vista o “benefício para a população” Como ele se apegou a esse suposto beneficio e que por isso custo seria relativamente pequeno eu retruquei: “você pagaria 300 mil reais para alguém criar um logo para o teu site? cri cri cri cri… Detalhe o logo foi copiado da própria internet.

Pois é, não é ético, nem eficiente pagar muito por coisas inúteis, e pior, com o dinheiro dos outros.

A CLT garante o desemprego dos mais jovens

Como terei experiência se ninguém me dá uma oportunidade?

Pergunta feita na maioria das vezes pelos mais jovens, por serem esses os que encontram maiores dificuldades para ingressar no mercado de trabalho, a necessidade de se conseguir uma colocação muitas das vezes é para garantir ou complementar o sustento de suas famílias e em outras situações, apenas por terem a necessidade de se sentirem financeiramente livres conquistando a própria renda, mesmo que baixa,  ao mesmo tempo que adquirem a tão exigida experiência.

Sabendo da demanda desse público em específico, alguns núcleos de cunho político, veem aí um capital e em geral apontam alguns inimigos que segundo eles são os causadores da falta de oportunidade: empresários, a classe média, os liberais ou qualquer pregador de livre mercado. Pois bem, este artigo vai tentar explicar o que em  grande parte, é,  a causa desse problema.

ADVANCED SHOES

A ADVANCED SHOES é uma loja de calçados situada na grande São Paulo, o seu proprietário, Senhor Tanaka, observando o dia a dia da loja chegou a conclusão de que se tivesse em seu quadro de funcionários, uma pessoa que dedicasse tempo integral na organização de toda papelada, gerada durante um dia de trabalho, a operação seria no mínimo mais ágil, e por esse motivo os outros funcionários poderiam empregar maior dedicação em suas funções específicas. A principio, em seu filtro o senhor Tanaka previu alguém sem experiência e com pouca idade, afinal, o serviço seria fácil.

Após a tomada de decisão, o senhor Tanaka solicitou ao recursos humanos da empresa que abrissem a vaga conforme o perfil das funções que ele descreveu, algumas horas depois o responsável do RH retornou com a seguinte informação: A vaga descrita refere-se ao cargo de auxiliar de escritório e para este cargo o salário é de R$1.200,00 mais impostos somando um total de R$2.600,00 de pronto o senhor Tanaka percebeu a inviabilidade da contratação nos moldes que ele havia planejado e indagou o RH- Qual o minimo que posso pagar?- O RH respondeu- Um salário mínimo mais impostos, isso vai dar em torno de R$1,800.00.

De posse de todas as informações, o senhor Tanaka, resolveu pensar um pouco mais e alguns dias depois chegou a conclusão de que seria mais vantajosa para ele. Já que o custo é de no mínimo R$1.800,00 por que não aumentar a exigência no filtro de qualidades na busca do novo funcionário? Pois bem, assim foi feito e a vaga foi anunciada com o seguinte formato:

Auxiliar de Escritório

Masculino/Feminino
Idade: De 25 à 30 anos
Escolaridade: Ensino superior completo, pós graduação em administração será um diferencial.
Idioma: Inglês (nativo) nem precisa falar português.
Conhecimentos: Pacote Office, Autocad, ProTools, Linux e Photoshop.
Atividades: Organizar a papelada gerada no dia a dia da loja.
Horário: De segunda a sexta das 8:00 às 17:00 com uma hora de almoço.
Salário: R$ 1,500.00 + vale transporte e vale alimentação de R$300,00.

Os dias se passaram e ninguém se candidatou à vaga, porém a necessidade de se ter o tal profissional era visível e cada vez mais urgente.

Que agonia para quem estava disposto a encarar a função por um salário menor do que impõe a lei, de certo boa parte dos jovens que reclamam da falta de oportunidade topariam por menos de R$ 1,800.00 ou R$1.500,00 ou menos, sim, topariam! O enunciado da vaga excluiu já na segunda linha boa parte dos que mais precisam da primeira oportunidade, mas o que você faria se estivesse no lugar do senhor Tanaka? Desobedeceria a Lei, que determina um Salário mínimo mesmo que a atividade em questão não valha tal preço? De forma totalmente obediente a lei o senhor Tanaka não se propôs a contratar um jovem de forma informal, atitude legítima tendo em  vista como certo: um futuro problema com a “justiça trabalhista”.

Diante da inviabilidade financeira de se contratar alguém de pouca experiência e o não interesse de candidatos com o perfil exigido no enunciado, a vaga foi cancelada, porém, a necessidade de alguém para a realização das tarefas continuou e a última alternativa encontrada pelo senhor Tanaka foi a de: designar a tarefa de organizar os papeis aos vendedores que ficaram insatisfeitos, mesmo após as justificativas do patrão.

Em relação ao fato de que a vaga não teve nenhum inscrito, logicamente porque ao refinar o filtro o senhor Tanaka diminuiu a possibilidade de encontrar alguém disposto a trocar tanta qualificação por um salário tão baixo e certamente esses profissionais estariam a procura de cargos que vão além de organizar papeis, não que a atividade seja indigna, mas seria  muito mais produtivo se fosse realizada  por alguém de menor bagagem. Mais uma vez fica provado que a CLT e o Salário mínimo de fato “protegem” o trabalhador de conseguir um trabalho.

E você jovem, qual atitude tomaria se fosse o senhor Tanaka?

 

Bel Pesce e a mentira da década

Bel Pesce, a ex-menina do Vale

Há alguns dias, uma imensa polêmica surgiu em torno da figura da empreendedora Bel Pesce que coloca em xeque toda a sua carreira, um fracasso numa história de crowdfounding de uma hamburgueria chamada por ela e sócios de Zebeléo (iniciais dos nomes deles) expôs a figura da moça a um blogueiro conhecido como Izzy Nobre que investigou cada ponto do currículo da moça e expôs ao mundo todos os exageros e as mentiras contadas por Bel Pesce durante os últimos anos sobre si mesma.

O interesse pela moça aumentou de forma exponencial. Inúmeros vídeos, reportagens, artigos, sites e perfis em redes sociais foram revirados na tentativa de buscar as inúmeras incoerências que ficaram no ar sobre a garota autora do livro sobre sua história, A menina do vale.

Entre as confusões estão o fato de Bel expor que tinha cinco diplomas pelo MIT (Ciência da Computação, Engenharia Elétrica, Economia, Matemática e Administração) e que tinha fundado uma empresa chamada Lemon Wallet. Neste vídeo Bel Pesce afirma que vendeu uma de suas empresas por 50 milhões de dólares.


Neste vídeo é feito uma análise da linguagem corporal da Bel Pesce.

Bel Pesce depois de alguns dias deu a resposta que acabou gerando ainda mais perguntas e não respondendo ao inúmeros questionamentos feitos pelo blogueiro em seu artigo original.

Inúmeras reportagens em vários portais de notícia passaram a ser alteradas na tentativa de corrigir os dados que a moça havia passado sobre si mesma, como quando tratava estágios de verão no Google e Microsoft como sendo “liderança de equipe de engenheiros” em diversos projetos de renome.

Inúmeras montagens surgiram desse episódio.

Estou grávida de quatro startups Encubando cinco startups

Inclusive fizemos as nossas.

Belnocchio Forrest Pesce

Bel Pesce é uma contadora de histórias, se sentiu tentada a inflar suas realizações para gerar audiência e conseguir um público maior, é explicito na entrevista que deu ao Danilo Gentili como ela tenta justificar o fato de ter saído antes da venda de sua suposta empresa. O grande problema da mentira é que quando se começa a mentir não há consequências, a pessoa se sente tentada a continuar inflando seus méritos e colhendo os frutos de algo que não plantou e esse é o grande problema, a mentira é uma bola de neve, cresce sem parar e o ditado popular de que a mentira tem perna curta é sem dúvida uma grande verdade, uma hora a verdade aparece e destrói com uma facilidade muito maior do que o tempo usado para construir.

Apesar de tudo a Bel Pesce real tem inúmeros atributos positivos, se formou num dos maiores institutos de tecnologia do mundo, é muito comunicativa, é esforçada, tem força de vontade e muita energia, teve contato com grandes empresas do Vale do Silício, enfim, apesar de tudo ela tem um bom currículo, só precisa parar de mentir e se situar de forma justa no mercado.

Que ela que aprenda uma lição deste lamentável episódio, se fortaleça, cresça, dê a volta por cima e passe a inspirar pessoas baseadas em realizações sólidas. Com certeza é muito melhor do que apenas vender sonhos e ilusões. Não que o mundo esteja saturado de enganadores, mas se houver exagero na enrolação, uma hora a verdade aparece e o mentiroso se dá mal.

Trabalhadores de campanha política e a CLT

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Neste período de campanha política o movimento de pessoas nas ruas a serviço de partidos e candidatos é visivelmente intenso, o que eu acho disso? do ponto de vista de que as pessoas estão ganhado um dinheirinho e melhorando de alguma forma suas vidas e de suas família eu acho bom, só faço uma observação para a origem considerada por mim imoral desse dinheiro, proveniente de roubo estatal mas ok, pulemos esta parte por não ser o foco do artigo.

Será este cenário uma demostração de que os partidos já aderiram a uma maior flexibilidade nas relações de trabalho, ou é apenas a realidade mostrando que, leis autoritárias e retrógradas apenas atrapalham quando o assunto é agilidade?

A pergunta se baseia no fato de que quase 100% dessas pessoas são contratadas com compromissos firmados de forma verbal, e eu não critico isto, ao contrário, apoio. Mas será que os outros sem trabalho e demandantes de mão de obra também não gostariam de usufruir de uma maior flexibilidade na elaboração de seus contratos de trabalho, ou apenas um seleto grupo pode se valer deste expediente?

Não seria hora dos partidos assumirem que, esta prática os favorecem e por consequências seus funcionários? sendo assim, por que a postura contrária nas propagandas? onde os mesmos militam pró CLT como se esta fosse um tipo de divindade e que sem ela seria impossível qualquer relação de trabalho, será que a CLT é boa somente para os negócios de terceiros e aos meus a flexibilidade basta?

E você caro leitor, considera possível que um cidadão comum decida os rumos de sua vida de trabalho de forma individual, ou acredita que a intermediação estatal seja realmente necessária? Aqui em Fraternalha temos opinião e a minha em particular é: Cada um sabe onde seu calo machuca.

 

Imposto é roubo?

Impostômetro

Seria os impostos uma forma de roubo? Este é um polêmico assunto entre libertários e conservadores. Há uns meses surgiu algumas discussões entre o Conde Loppeux de la Villanueva em seu canal no Youtube, sempre com bons pontos levantados e também o canal Idéias Radicais do Raphael Lima que também fala do assunto, cada um defendendo um ponto antagônico sobre imposto.

O libertarianismo em sua forma mais radical, o anarcocapitalismo, se mostra como uma utopia, uma idealização de algo que é considerado justo, no entanto, impraticável. Não há registros na história de algo como uma sociedade livre de Estado como é imaginado por Paulo Kogos, Raphael Lima, Dâniel Fraga e outros anarcocapitalistas. No canal Idéias Radicais é citado o exemplo da “Islândia Medieval”, com supostas leis privadas, mas, é um exemplo bastante distante da realidade, suas leis baseadas no common law não podem ser consideradas privadas como o próprio Conde expõe em um vídeo.

O exemplo anarcocapitalista de sociedade é perfeito: ruas privadas, empresas privadas, sem governo para retirar dinheiro de um lugar e alocar em outro, sem empresas públicas, população com pleno direito de se armar, etc. No entanto ser anarcocapitalista significa rejeitar toda a participação social no sistema democrático em que vivemos, que é autoritário, imperfeito, injusto, inadequado, mas, o único que temos e infelizmente não vai acabar nunca, ou pelo menos, não tão cedo. Quando necessário é possível burlar o poder do Estado com uma certa dose de agorismo.

Mas e o imposto, é roubo ou não?

É consenso na sociedade e na maioria das igrejas que se o governo inventar um novo imposto todos os cidadãos devem pagar. Legitimando a prática do imposto, dizendo que é preciso pagar o tributo sempre, que é um dever de todos como cidadãos, o que seria feito se o governo aumentar de forma autoritária os impostos até sufocar o pagador de impostos? Isso já acontece no Brasil. Ainda assim é justo dizer que é lícito pagar em qualquer caso? Na ótica libertária, não. Impostos são uma forma de espoliação, de subtrair recursos livremente adquiridos por uma pessoa mediante o seu trabalho para sustentar uma classe política que pouco faz pela sociedade a qual foram designados para cuidar. E não fazem, não porque não querem, mas, porque não podem, quanto mais descentralizado for o poder melhor e o modelo vigente no Brasil é de municípios grandes, estados gigantes e uma país ainda maior, onde toda a administração é centralizada em Brasília. É pago no Brasil uma quantidade exorbitante de impostos. Muitas vezes só o jeitinho brasileiro salva para se livrar de tanta cobrança. O excesso de impostos é uma das maiores causas da chamada corrupção.

O Estado provavelmente nunca deixará de existir no entanto, uma máxima dos anarcocapitalistas também é verdade, é impossível haver um Estado mínimo, porque ele somente aumentará mediante inúmeros estímulos e nada conseguirá manter um Estado pequeno o suficiente para não incomodar o cidadão. Infelizmente, o Estado não é um mal necessário, ele é um mal. Mas, no dia a dia, é preciso lidar com ele, de uma forma ou de outra, portanto, não se deve também abster-se totalmente da participação na chamada democracia.

O Estado jamais deixará de existir, mas, ele pode ser domado, por isso é importante a participação de todas as camadas sociais na política.

O IPTU é a mais tirânica forma de espoliar um cidadão, que mesmo com esforços sobre-humanos para adquirir uma casa, ainda precisa pagar aluguel ao governo em função de uma propriedade que é sua. Ninguém paga, por exemplo, o IPVA do seu carro por gosto, mas, por saber que se não pagar, os agentes do governo confiscarão sua propriedade na primeira blitz que tiver onde o imposto constar como vencido. É um pagamento sob coerção, sob ameaça. Se algum indivíduo não deve ameaçar outro pode o Estado fazê-lo?

Se for considerada legítima a ação de pagar impostos sem nenhuma restrição também o cidadão terá que pagar até mesmo quando o governo aumentar os impostos para 80%, 90%. A doutrinação sobre impostos já ocorre mesmo em nossa infância, com os sonegadores vistos como grande vilões como traficantes ou prostitutas. É preciso parar e refletir sobre isso. Até onde é justo pagar impostos?

No entanto, precisamos analisar que também não vivemos numa sociedade livre do mal do Estado e as ruas precisam ser cuidadas, iluminação, praças públicas, lixo, mananciais ainda precisam se manter e hoje a única forma de fazer isso é ser espoliado pelos agentes públicos que subtraem os recursos frutos do trabalho das pessoas e gastam apenas uma pequena parte com o “bem público”, o resto é sabido muito bem para onde vai.

O jogo de aparências no impeachment de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff

A votação do impeachment ocorrerá em poucas horas. Dilma Rousseff está prestes a perder oficialmente seu cargo de presidente da república. A degradação moral e a destruição da economia passam pelas mãos de seu partido, responsável pela educação pífia no país, pelo Brasil desarmado que mata 60 mil pessoas por ano, pelo financiamento de ditaduras, pelo afastamento de países prósperos, enfim, ela representa bem essa fase sombria do país, a quase ex-presidente não fala nada com nexo, toma decisões absurdas em favor de minorias sindicais e partidárias e ignora a maioria dos anseios do povo brasileiro, não sabe construir alianças, é mentirosa, não é pragmática, é autoritária e arrogante e se isolou no exercício do poder.

A figura de Dilma é caricata e patética, isso facilita sua perda de poder e dá ainda mais aval para o processo de impeachment. Dilma não tem uma boa oratória e o poder de persuasão de um Lula e não está perdendo o poder por ter sido chefe do conselho de administração da Petrobras durante o escândalo da compra de Pasadena e dos piores saques à empresa e nem mesmo por ter sido responsável pelas pedaladas fiscais que lesaram os cofres públicos em bilhões de reais. Lula também é um corrupto inveterado e escapou fácil de um afastamento.

Dilma está perdendo o cargo porque ela é um desastre. A questão de poder está bastante relacionado com as aparências e enquanto o brasileiro passa vergonha ao ouvi-la discursar, seu substituto é culto, bem educado e um político extremamente habilidoso nos bastidores. No entanto, Michel Temer e o PMDB estão há anos na base do governo e são tão responsáveis pela destruição da economia e pela degradação moral quanto Dilma e o PT.

Então é necessário cuidado, para não se deixar seduzir pela aparência de culto de Michel Temer e continuar incrédulo com esse governo autoritário e incompetente que tanto mal fez ao Brasil ao longo da última década.

O libertário incompleto

Libertários

O número de auto-denominados libertários vem crescendo bastante nos últimos anos com a disseminação das idéias de Ludwig von Mises, Murray Rothbard, Friedrich Hayek, Hans Hermann Hoppe, entre outros, através de livros, de grupos de Facebook, canais no Youtube como o Idéias Radicais e através de portais de conteúdo libertário como o Instituto Mises Brasil, o Instituto Rothbard e vários outros que repudiam as ações do Estado.

No Brasil esse movimento é alavancado pela enorme intromissão do Estado na vida de todas as pessoas, onde o brasileiro precisa pedir permissão para portar uma arma, abrir uma empresa, contratar e demitir um empregado, sair do país, comprar produtos, vender produtos e pagar impostos sobre todas essas coisas. A burocracia é enorme e essa é a maior causa da chamada corrupção, onde o cidadão aceita pagar propina para um processo andar ou uma permissão estatal ser aceita em menos tempo, caso contrário não pode tocar um negócio, por exemplo.

O brasileiro em geral, é doutrinado desde a infância a curvar-se ao Estado, inclusive implorando para que conserte problemas causados pelo próprio, como pôde ser visto nas manifestações de 2013, onde cada um levava uma faixa diferente pedindo mais saúde, mais educação, mais segurança, dando aval ao Estado para aumentar ainda mais os impostos para suprir essas demandas e aumentar o seu poder para tentar resolver esses problemas. O Estado não é a solução, ele é o problema.

No entanto, entre parte da população mais jovem, grupos de pessoas inconformadas com a submissão se identificaram com a ideia de mais liberdade e menos Estado, almejando por si mesmo, através da valorização do potencial do indivíduo, seguir seu próprio caminho e resolver seus próprios problemas.

Mas o libertarianismo seria em si mesmo suficiente? Talvez não, falta alguma coisa. Os libertários são odiados pela esquerda e por uma parcela da direita mais conservadora. E é perfeitamente claro o porquê. Pela esquerda, por defender o livre mercado e pela direita por apoiar em partes a agenda da esquerda como aborto, drogas, casamento gay, etc.

Observando os maiores grupos sobre o tema no Facebook como o Liberalismo e Libertarianismo é possível entender os motivos das chacotas por parte dos conservadores. A maior parte das discussões do grupo se resumem a perguntas do tipo: “Isso fere o PNA? Aquilo fere o PNA?”. Além do “Princípio da Não Agressão”, surgiu posteriormente o “Princípio da Não Opressão”.

Nesses grupos, a impressão é de que quase ninguém tem princípios, o único fator utilizado nas discussões é a lógica pura. Há algum tempo alguém perguntou no grupo: “Se uma pessoa invadir minha propriedade privada eu poderia estuprá-la? Estou no meu direito?”, ou uma outra questão onde era colocada em xeque a vida de cinco pessoas e você só poderia salvá-las se invadisse uma propriedade privada, por isso certa parte das pessoas não o faria. Enfim, esse é o nível das discussões.

A esmagadora maioria dos libertários desses grupos, além do Liberalismo Clássico e outros são favoráveis ao aborto. A propriedade privada, como no exemplo supracitado, são colocadas como mais importantes do que a própria vida e assim segue também os debates sobre aborto. Não há nenhum respeito pela vida de um indivíduo, aliás, nem ao menos consideram uma potencial pessoa como um indivíduo. Creio eu que, a maioria dos libertários sendo jovem, busca argumentos lógicos para defender a morte de um feto para não assumirem as responsabilidades da paternidade ou maternidade em caso de uma gravidez indesejada.

No meio dos libertários há os de tendência esquerdista, que a única diferença para um petista militante é que são favoráveis ao livre mercado. Postam filtros coloridos enaltecendo o casamento gay e o multiculturalismo, inclusive, muitos desses libertários, chamados left-lib comemoraram a decisão da suprema corte americana que aprovou o casamento gay em toda a América em detrimento da decisão dos estados. Na época isso soou bastante estranho, visto que esses libertários deveriam ser contrários ao Estado e não favoráveis a decisão dele de regular uma união entre homossexuais.

LeftLib
Os leftlib em um dia habitual.

O que um left-lib não compreende é que casamento gay na verdade, não existe, o matrimônio na verdade é oriundo de um sacramento religioso da união entre um homem e uma mulher. Nada além disso é casamento. No entanto, se dois homossexuais quiserem viver juntos e assinar um contrato de benefício mútuo realmente não há nada de errado com isso. O que é correto do ponto de vista cristão é saber que é pecado, mas tentar impedir a união de dois homossexuais que não causaram mal algum a ninguém é de fato, autoritário. Mas boa parte não se contentam com isso, querem mesmo é debochar do conceito de família tradicional.

Há ainda os libertários que defendem as drogas a todo custo. É consenso entre os libertários de que as drogas devem ser liberadas assim como todo o comércio, a diferença é que apenas uma pequena parcela dos libertários condenam as drogas como um mal imenso aos usuários e à própria sociedade. A maconha, a cocaína, o crack, causam prejuízos sem precedentes e devem ser combatidas, não pelo Estado, já que a guerra às drogas só desperdiça recurso em detrimentos de ações realmente importantes da força policial, mas por todos nós, proibindo os entorpecentes de chegarem a nós e a nossos filhos.

A falta de princípios é o problema da grande maioria desses libertários, e isso na minha opinião é suprido pelos libertários cristãos. Tenho a percepção de que o cristianismo é bastante compatível com o libertarianismo. É possível ser libertário e abominar o uso de drogas, condenar totalmente o aborto e saber que casamento gay não existe, mas, defender que cada indivíduo faça o uso de drogas se assim o quiser, una-se com uma pessoa do mesmo sexo se assim o quiser, não portar armas se não o quiser, entanto, que utilize métodos anti-concepcionais para que jamais venha retirar a vida de um ser se alguma mulher acabar engravidando por irresponsabilidade do algum casal.

Mais liberdade, porém, mais responsabilidade também, justamente o que falta na maioria dos libertários. Para que o Estado não se sinta impelido a fazer isso por todos.

Doutor Segurança e o deboche ao povo brasileiro

Doutor Segurança

No decorrer desta semana tem sido compartilhada algumas imagens sobre assaltantes de um tal de “Doutor Segurança” no Facebook. As imagens são hilárias e a priori era possível imaginar tratar-se de algum portal cômico como o Joselito Müller ou o Sensacionalista. Mas o negócio era sério.

Durante o assalto
“Senhor bandido? Poderia esclarecer o que disse depois de ‘cale a boca ou vou estourar seus miolos?’ Eu não ouvi direito, estou um pouco nervoso.”
Durante o assalto
“Senhor ladrão, eu posso sacar minha Glock e perfurar vosso crânio, por gentileza?”
Durante o assalto
“Senhor bandido, eu irei fugir, tudo bem? Vou sair correndo por aquela porta, por favor, não atire em mim.”

As “dicas” soaram muito mal no Facebook pelo excesso de zelo para com o bandido (confira aqui, aqui e aqui) aumentando instantaneamente a audiência da página, lembrando alguns casos onde a vítima é responsabilizada pela ação do bandido.

A revolta é explicada, entre outros fatos, em função do governo brasileiro não ter respeitado o referendo de 2005 onde o brasileiro optou por ser contra a proibição da comercialização de armas de fogo depois de uma campanha ridícula encabeçada pelos atores da Globo, favoráveis. Naquele ano quase 60 milhões de pessoas, 63% do total de votantes, foram às urnas para votar “não” à proibição da comercialização de armas de fogo no país.

A intenção do governo era bastante óbvia, restringir ao máximo a aquisição de armas de fogo e desejava um referendo para justificar a proibição, no entanto, a campanha bizarra governista deu errado e o povo cansado da insegurança e de ser refém nas mãos de bandidos, votou contra. A maior parte da elite política e judiciária era e ainda é favorável à proibição, como pode ser conferida numa entrevista com o ministro Luiz Fux, onde ele diz que o povo “votou errado”. O Estatuto do Desarmamento continua em vigor, dificultando ao máximo a aquisição de armas de fogo, onde o brasileiro precisa pedir permissão ao Estado para adquirir legalmente um instrumento de defesa à vida, além de enfrentar uma burocracia típica do poder público brasileiro.

O Brasil registra quase sessenta mil homicídios por ano. Um número alarmante num país onde não há direito à defesa e a sensação é sempre de que a justiça tende a favorecer o bandido, que tem a certeza de que suas vítimas estarão sempre desarmadas. Nenhum bandido entraria numa casa na mesma tranquilidade se soubesse que poderia haver armas no recinto. E como é óbvio, a polícia não é onipresente.

A postagem do “Doutor Segurança” pode ter sido apenas uma infelicidade e ele pode ser bem intencionado, no entanto, num país onde apenas o Estado e os bandidos possuem armas e os cidadãos ficam no fogo cruzado e reféns do totalitarismo estatal e da bandidagem, estas imagens só poderiam soar mesmo como uma grande piada.