O jogo de aparências no impeachment de Dilma Rousseff

Dilma Rousseff

A votação do impeachment ocorrerá em poucas horas. Dilma Rousseff está prestes a perder oficialmente seu cargo de presidente da república. A degradação moral e a destruição da economia passam pelas mãos de seu partido, responsável pela educação pífia no país, pelo Brasil desarmado que mata 60 mil pessoas por ano, pelo financiamento de ditaduras, pelo afastamento de países prósperos, enfim, ela representa bem essa fase sombria do país, a quase ex-presidente não fala nada com nexo, toma decisões absurdas em favor de minorias sindicais e partidárias e ignora a maioria dos anseios do povo brasileiro, não sabe construir alianças, é mentirosa, não é pragmática, é autoritária e arrogante e se isolou no exercício do poder.

A figura de Dilma é caricata e patética, isso facilita sua perda de poder e dá ainda mais aval para o processo de impeachment. Dilma não tem uma boa oratória e o poder de persuasão de um Lula e não está perdendo o poder por ter sido chefe do conselho de administração da Petrobras durante o escândalo da compra de Pasadena e dos piores saques à empresa e nem mesmo por ter sido responsável pelas pedaladas fiscais que lesaram os cofres públicos em bilhões de reais. Lula também é um corrupto inveterado e escapou fácil de um afastamento.

Dilma está perdendo o cargo porque ela é um desastre. A questão de poder está bastante relacionado com as aparências e enquanto o brasileiro passa vergonha ao ouvi-la discursar, seu substituto é culto, bem educado e um político extremamente habilidoso nos bastidores. No entanto, Michel Temer e o PMDB estão há anos na base do governo e são tão responsáveis pela destruição da economia e pela degradação moral quanto Dilma e o PT.

Então é necessário cuidado, para não se deixar seduzir pela aparência de culto de Michel Temer e continuar incrédulo com esse governo autoritário e incompetente que tanto mal fez ao Brasil ao longo da última década.

O libertário incompleto

Libertários

O número de auto-denominados libertários vem crescendo bastante nos últimos anos com a disseminação das idéias de Ludwig von Mises, Murray Rothbard, Friedrich Hayek, Hans Hermann Hoppe, entre outros, através de livros, de grupos de Facebook, canais no Youtube como o Idéias Radicais e através de portais de conteúdo libertário como o Instituto Mises Brasil, o Instituto Rothbard e vários outros que repudiam as ações do Estado.

No Brasil esse movimento é alavancado pela enorme intromissão do Estado na vida de todas as pessoas, onde o brasileiro precisa pedir permissão para portar uma arma, abrir uma empresa, contratar e demitir um empregado, sair do país, comprar produtos, vender produtos e pagar impostos sobre todas essas coisas. A burocracia é enorme e essa é a maior causa da chamada corrupção, onde o cidadão aceita pagar propina para um processo andar ou uma permissão estatal ser aceita em menos tempo, caso contrário não pode tocar um negócio, por exemplo.

O brasileiro em geral, é doutrinado desde a infância a curvar-se ao Estado, inclusive implorando para que conserte problemas causados pelo próprio, como pôde ser visto nas manifestações de 2013, onde cada um levava uma faixa diferente pedindo mais saúde, mais educação, mais segurança, dando aval ao Estado para aumentar ainda mais os impostos para suprir essas demandas e aumentar o seu poder para tentar resolver esses problemas. O Estado não é a solução, ele é o problema.

No entanto, entre parte da população mais jovem, grupos de pessoas inconformadas com a submissão se identificaram com a ideia de mais liberdade e menos Estado, almejando por si mesmo, através da valorização do potencial do indivíduo, seguir seu próprio caminho e resolver seus próprios problemas.

Mas o libertarianismo seria em si mesmo suficiente? Talvez não, falta alguma coisa. Os libertários são odiados pela esquerda e por uma parcela da direita mais conservadora. E é perfeitamente claro o porquê. Pela esquerda, por defender o livre mercado e pela direita por apoiar em partes a agenda da esquerda como aborto, drogas, casamento gay, etc.

Observando os maiores grupos sobre o tema no Facebook como o Liberalismo e Libertarianismo é possível entender os motivos das chacotas por parte dos conservadores. A maior parte das discussões do grupo se resumem a perguntas do tipo: “Isso fere o PNA? Aquilo fere o PNA?”. Além do “Princípio da Não Agressão”, surgiu posteriormente o “Princípio da Não Opressão”.

Nesses grupos, a impressão é de que quase ninguém tem princípios, o único fator utilizado nas discussões é a lógica pura. Há algum tempo alguém perguntou no grupo: “Se uma pessoa invadir minha propriedade privada eu poderia estuprá-la? Estou no meu direito?”, ou uma outra questão onde era colocada em xeque a vida de cinco pessoas e você só poderia salvá-las se invadisse uma propriedade privada, por isso certa parte das pessoas não o faria. Enfim, esse é o nível das discussões.

A esmagadora maioria dos libertários desses grupos, além do Liberalismo Clássico e outros são favoráveis ao aborto. A propriedade privada, como no exemplo supracitado, são colocadas como mais importantes do que a própria vida e assim segue também os debates sobre aborto. Não há nenhum respeito pela vida de um indivíduo, aliás, nem ao menos consideram uma potencial pessoa como um indivíduo. Creio eu que, a maioria dos libertários sendo jovem, busca argumentos lógicos para defender a morte de um feto para não assumirem as responsabilidades da paternidade ou maternidade em caso de uma gravidez indesejada.

No meio dos libertários há os de tendência esquerdista, que a única diferença para um petista militante é que são favoráveis ao livre mercado. Postam filtros coloridos enaltecendo o casamento gay e o multiculturalismo, inclusive, muitos desses libertários, chamados left-lib comemoraram a decisão da suprema corte americana que aprovou o casamento gay em toda a América em detrimento da decisão dos estados. Na época isso soou bastante estranho, visto que esses libertários deveriam ser contrários ao Estado e não favoráveis a decisão dele de regular uma união entre homossexuais.

LeftLib
Os leftlib em um dia habitual.

O que um left-lib não compreende é que casamento gay na verdade, não existe, o matrimônio na verdade é oriundo de um sacramento religioso da união entre um homem e uma mulher. Nada além disso é casamento. No entanto, se dois homossexuais quiserem viver juntos e assinar um contrato de benefício mútuo realmente não há nada de errado com isso. O que é correto do ponto de vista cristão é saber que é pecado, mas tentar impedir a união de dois homossexuais que não causaram mal algum a ninguém é de fato, autoritário. Mas boa parte não se contentam com isso, querem mesmo é debochar do conceito de família tradicional.

Há ainda os libertários que defendem as drogas a todo custo. É consenso entre os libertários de que as drogas devem ser liberadas assim como todo o comércio, a diferença é que apenas uma pequena parcela dos libertários condenam as drogas como um mal imenso aos usuários e à própria sociedade. A maconha, a cocaína, o crack, causam prejuízos sem precedentes e devem ser combatidas, não pelo Estado, já que a guerra às drogas só desperdiça recurso em detrimentos de ações realmente importantes da força policial, mas por todos nós, proibindo os entorpecentes de chegarem a nós e a nossos filhos.

A falta de princípios é o problema da grande maioria desses libertários, e isso na minha opinião é suprido pelos libertários cristãos. Tenho a percepção de que o cristianismo é bastante compatível com o libertarianismo. É possível ser libertário e abominar o uso de drogas, condenar totalmente o aborto e saber que casamento gay não existe, mas, defender que cada indivíduo faça o uso de drogas se assim o quiser, una-se com uma pessoa do mesmo sexo se assim o quiser, não portar armas se não o quiser, entanto, que utilize métodos anti-concepcionais para que jamais venha retirar a vida de um ser se alguma mulher acabar engravidando por irresponsabilidade do algum casal.

Mais liberdade, porém, mais responsabilidade também, justamente o que falta na maioria dos libertários. Para que o Estado não se sinta impelido a fazer isso por todos.

Doutor Segurança e o deboche ao povo brasileiro

Doutor Segurança

No decorrer desta semana tem sido compartilhada algumas imagens sobre assaltantes de um tal de “Doutor Segurança” no Facebook. As imagens são hilárias e a priori era possível imaginar tratar-se de algum portal cômico como o Joselito Müller ou o Sensacionalista. Mas o negócio era sério.

Durante o assalto
“Senhor bandido? Poderia esclarecer o que disse depois de ‘cale a boca ou vou estourar seus miolos?’ Eu não ouvi direito, estou um pouco nervoso.”
Durante o assalto
“Senhor ladrão, eu posso sacar minha Glock e perfurar vosso crânio, por gentileza?”
Durante o assalto
“Senhor bandido, eu irei fugir, tudo bem? Vou sair correndo por aquela porta, por favor, não atire em mim.”

As “dicas” soaram muito mal no Facebook pelo excesso de zelo para com o bandido (confira aqui, aqui e aqui) aumentando instantaneamente a audiência da página, lembrando alguns casos onde a vítima é responsabilizada pela ação do bandido.

A revolta é explicada, entre outros fatos, em função do governo brasileiro não ter respeitado o referendo de 2005 onde o brasileiro optou por ser contra a proibição da comercialização de armas de fogo depois de uma campanha ridícula encabeçada pelos atores da Globo, favoráveis. Naquele ano quase 60 milhões de pessoas, 63% do total de votantes, foram às urnas para votar “não” à proibição da comercialização de armas de fogo no país.

A intenção do governo era bastante óbvia, restringir ao máximo a aquisição de armas de fogo e desejava um referendo para justificar a proibição, no entanto, a campanha bizarra governista deu errado e o povo cansado da insegurança e de ser refém nas mãos de bandidos, votou contra. A maior parte da elite política e judiciária era e ainda é favorável à proibição, como pode ser conferida numa entrevista com o ministro Luiz Fux, onde ele diz que o povo “votou errado”. O Estatuto do Desarmamento continua em vigor, dificultando ao máximo a aquisição de armas de fogo, onde o brasileiro precisa pedir permissão ao Estado para adquirir legalmente um instrumento de defesa à vida, além de enfrentar uma burocracia típica do poder público brasileiro.

O Brasil registra quase sessenta mil homicídios por ano. Um número alarmante num país onde não há direito à defesa e a sensação é sempre de que a justiça tende a favorecer o bandido, que tem a certeza de que suas vítimas estarão sempre desarmadas. Nenhum bandido entraria numa casa na mesma tranquilidade se soubesse que poderia haver armas no recinto. E como é óbvio, a polícia não é onipresente.

A postagem do “Doutor Segurança” pode ter sido apenas uma infelicidade e ele pode ser bem intencionado, no entanto, num país onde apenas o Estado e os bandidos possuem armas e os cidadãos ficam no fogo cruzado e reféns do totalitarismo estatal e da bandidagem, estas imagens só poderiam soar mesmo como uma grande piada.