Resenha – O Capital – Marx, Karl

Por: Marcel Di Bernardo

O Capital, livro mais famoso do pensador alemão Karl Marx completa, em 11 de setembro de 2017, 150 anos. No Livro 1, que levou cerca de 15 anos para ser finalizado, Karl Marx apresenta sua visão acerca do processo de produção e circulação do capital desde sua origem, a mercadoria e sua condição fetichista, a manifestação do trabalho como a verdadeira fonte geradora do valor e a redução de sua força à mera mercadoria a ser explorada pelo capital, a mais-valia, salário e acumulação primitiva.

Para compreender a obra, é necessário entender o método materialista histórico dialético criado e desenvolvido pelo autor a partir da influência que este teve do filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel. Esse método, usado por Marx, no qual a tese de que o Homem trabalha para atender às suas necessidades é demonstrada a síntese “negação da negação”, que conduz as forças e as relações materiais ao largo da história e nos direciona no decorrer de toda obra.

O leitor que negligencia – seja por descuido, seja por desconhecimento, a metodologia materialista dialética presente na obra O Capital, certamente fracassará no objetivo de dominar os conceitos-chave do pensamento marxiano.

A partir desse ponto que Marx passa a investigar o modo de produção capitalista, começando pelo seu núcleo: amercadoria.

O primeiro capítulo – para muitos considerado a espinha dorsal de sua teoria sobre o modo de produção capitalista – Marx analisa a mercadoria, assim como a formulação de seu valor através da teoria ricardiana do valor trabalho.

A mercadoria tem a finalidade de suprir as necessidades humanas, sem entrar no mérito de quais seriam essas necessidades, se “do estômago ou da fantasia”, como cita o autor. Assim, Marx começa analisando o valor de uso, ou seja, a utilidade que um determinado objeto possui.

Na segunda seção da obra, Marx afirma que a primeira forma de manifestação do capital é o dinheiro, mercadoria que estabelece a universalidade entre todas as  demais, e sua maneira de circulação, representada por D-M-D, portanto, em contradição à circulação de mercadorias em sua forma inicial M-D-M. Novamente pode-se notar o emprego do pensamento dialético na exposição do processo de circulação no regime capitalista.

Ao longo de toda obra, Karl Marx pretendeu mostrar as diversas contradições inerentes ao capitalismo enquanto modo de produção, desde sua gênese, a produção da mercadoria, expondo a dualidade de valor de uso e valor de troca, como da irracionalidade fetichista; a dualidade manifesta do trabalho, fator incorporador de todo valor presente nas mercadorias, em trabalho concreto e trabalho abstrato; a exploração desse trabalho pelo capital através da mais-valia, ou seja, os salários pagos aos trabalhadores consistiam numa pequena porcentagem do valor equivalente ao que era produzido, que, por sua vez, também nos é apresentado sob o prisma dialético, aparecendo na forma de mais-valia absoluta (intensificação do ritmo de trabalho para aumento da produtividade), e mais-valia relativa (aumento da produtividade com inovação tecnológica e redução do ritmo) e, por fim, a reprodução do capital, legitimado pela propriedade privada dos meios de produção, divorciando o produtor, a classe proletária, de todo fruto de sua própria produção.

Na última seção o autor discorre sobre o processo de acumulação do capital, sendo  não o desenrolar do capitalismo como modo de produção, mas sim a fase que o possibilitou. Marx parte para a análise histórica, verificando as circunstâncias que permitiram o surgimento do sistema capitalista desde sua etapa primitiva.

Disso surge a tese da acumulação primitiva, um intrincado processo histórico onde as relações de poder acabariam por determinar qual grupo se tornaria detentor dos meios de produção e qual grupo seria subjugado ao ponto de ter que vender a única mercadoria que ainda lhe resta: sua força de trabalho.

Marx rebate a afirmação de que o capitalismo seja resultado da parcimônia, do labor, da poupança e planejamento pois, para ele, o antagonismo de classes era visível desde o período feudal, passando pela fase mercantilista, onde nações dominavam outras, colonizações por parte das potências europeias, utilizando da força para expropriar a riqueza alheia cujo ponto culminante dessa exploração ganharia forma no capitalismo e criou condições para o surgimento da industrialização, fazendo a transição da acumulação primitiva para acumulação do capital.

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